De segunda a sábado, o trabalho era na horta, e nos serviços caseiros na chácara onde morávamos, mas o Domingo era santo. A missa na igreja matriz, lá no fim da Rua Cel. Serafim Pereira quase esquina com N.Srª da Conceição, onde seguidamente a gente levava uns cascudos do padre João, por não estar se comportando direito, era sagrada. Não podia faltar, O padre fazia questão de ir até o Grupo Escolar (em frente a praça) passar de sala em sala anotando o nome dos faltantes. A tarde, já com o dever cumprido, era hora de arrumar os gibis, que meu pai trazia aos montes e tocar para a frente do Cine Marabá, fazer trocas e vendas. Geralmente eu não trocava nada, eu ia para vender, já que a Fábrica de Papel e papelão do Justo era como a minha livraria particular. As novidades do rádio, do futebol e das novelas, vinham todas em revistas como Capricho, Revista do Rádio, Manchete, O Cruzeiro,Fatos e Fotos, Contigo, alem é claro de todas as espécies de revistas em quadrinho da época. Eu levava de carrinho de mão, punha a minha banca particular e ali a gente negociava. Como morava a menos de uma quadra do cinema, podia me dar ao luxo de fazer as vendas e depois voltar para assistir a matinê. Geralmente aos domingos pela tarde o programa era duplo, um filme de bang bang e um episodio de um seriado (tipo novelas de hoje)que normalmente acabava com suspense. A gente comprava o bilhete, depois era só escolher o lugar e aguardar. Às vezes apresentavam algumas propagandas, uma novidade, pois apareciam fotos das casas comerciais, de Sapucaia, uma que nunca saiu da minha cabeça era da COMATEL (comércio de materiais elétricos) pelas fotos coloridas que apresentava. Terminadas as propagandas, tocava então o soar de um relógio gigante na tela e a contagem regressiva. Ai vinha os anúncios dos filmes da semana, e finalmente começava o espetáculo. Filmes de mocinho e bandido eram os preferidos pelo seu Edgar, (dono do Marabá) ele sabia que era plateia lotada. Uma coisa interessante que se notava ao entrar na sala de espetáculos era que o chão estava sempre úmido, salpicado de gotas de água. O porquê daquilo. Acontece que normalmente as perseguições do mocinho ao bandido que perseguia a mocinha, eram acompanhadas pelo barulho ensurdecedor dos pés que batiam no chão, numa espécie de torcida, e aquilo levantava uma poeira dos infernos, então, com o chão molhado era bem mais fácil controlar o pó. Eram programas simples, despidos da malicia e da pornografia de hoje. Os beijos eram roubados no escurinho, rezando para que o “lanterninha” não aparecesse.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
Seis meses
Este, até agora, o tempo decorrido após o desaparecimento de D Beatriz Joanna Von Hoendorff Winck lá no Santuário de Aparecida, em São Paulo. De lá para cá muitas coisas aconteceram, mas o principal que seria o aparecimento desta dona de casa, até agora nada. Com exceção do trabalho, das buscas, dos gastos, das preocupações da família de amigos e colaboradores nada de novo aparece. E aí a pergunta que não quer calar; onde estão as autoridades deste país?Onde está a policia? Os políticos? Onde estão as providencias? Onde está a palavra dos responsáveis pela administração daquele império financeiro, que mais serve para faturar do que propriamente reverenciar a santa padroeira? Será que apenas orando, como querem os senhores padres administradores do Santuário, D. Beatriz vai surgir em casa alegre, cantarolando? Será que apenas porque a senhora ministra Maria do Rosário ordenou que a comissão dos direitos humanos da Assembleia Legislativa tomasse providências e entrasse no caso D. Beatriz iria aparecer por obra e graça de uma determinação política?
Minha indignação não é somente por causa desta senhora, não estou revoltado tão somente pelo desaparecimento de D. Beatriz, estou indignado é com o conformismo das autoridades responsáveis pelo caso. Um país que alardeia aos quatro ventos investimentos bilionários para a realização de uma copa de futebol não pode pagar mico de viver uma situação de calamidade como vivemos. Como é possível entender que pessoas sumam como por encanto sem deixar vestígios, como entender que casos tão graves como estes de desaparecimento de pessoas, passem despercebidos pelas autoridades responsáveis pela segurança pública? Como entender que um delegado de polícia deixe passar em branco quando aparece alguém usando os documentos da pessoa desaparecida e não saia logo em seu encalço? Ninguém, alem dos familiares e amigos, pode avaliar o que sejam cento e oitenta dias de agonia, de insônia, da espera infinita por notícias que não chegam. Ninguém, é capaz de avaliar o que é dormir somente à custa de medicamentos por que as lembranças e a saudades não dão sossego.
Ninguém, alem do Sr. Delmar, pode imaginar o que seja o suplicio de andar pela casa e a cada objeto, cada detalhe ver a presença da esposa amada e agora tão distante, e, sabe-se lá em que circunstâncias.Nossas autoridades tem que mudar o procedimento, é chegada a hora de alguém neste emaranhado de desculpas e omissões, falar a verdade, ser honesto e confessar a própria incompetência. Onde estão os direitos humanos? Será que se este desaparecimento envolvesse alguém ligado aos altos escalões, tudo ainda estaria neste pé? Com certeza não estaria. É sabido e notório que quando a chapa esquenta nos pés de algum figurão a coisa muda de figura. Ora bolas, com o número vergonhoso de pessoas que desaparecem diariamente no país, com a falta de um cadastro de desaparecidos para que se possa fazer uma busca, uma pesquisa, será que não estaria na hora da polícia federal entrar nesta briga? Afinal de contas são vidas humanas, logo ali teremos a tal Copa dos Alienados e, se desaparecer alguém e tudo ficar por isto mesmo, imagina a esculhambação, alem da que já existe isto vai virar.Fico me questionando porque tanto mistério?
Quando foi para prometer soluções fizeram mistérios, o gabinete do Sr. Oliboni pediu conversa reservada com a família, fez criar a expectativa de que algo seria feito, mas, fizeram o quê até agora?E as autoridade aqui de Sapucaia do Sul, os senhores responsáveis pela Secretaria dos Direitos Humanos que tiveram a cara de pau de dizer que tudo estaria caminhando sob segredo da justiça. Mas tudo o quê? O que fizeram até agora? Alem de irem ao banco todos os fins de mês receberem seus salários? Quais foram os contatos? Quais foram as medidas? Falaram com quem? Com as autoridades de Aparecida? Com o governador de São Paulo? Com a polícia federal?Pressionaram as autoridades que estão fazendo vistas grossas para com estes desaparecimentos? Será que as autoridades lá do Santuário não tem nenhuma responsabilidade para com os milhares de fieis que acorrem todos os dias e lá deixam fortunas ? Quem são os verdadeiros proprietários de bancas e quiosques que comercializam objetos naquele complexo turístico? Será que o silêncio, e a morosidade buscas e divulgações destes desaparecimentos não estariam diretamente ligados ao eventual prejuízo no comércio que lá existe? Eu insisto com a pergunta; onde está D. Beatriz?
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Verdadeiros heróis.
Nunca, como agora, me senti tão motivado a redigir um texto como este. Confesso também, que poucas foram às vezes em que senti lágrimas rolarem pela minha face, como as que ontem rolaram quando assistia no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão as reportagens sobre os jovens Marco Aurélio, E Claudio Dusik. Acredito que como eu, muitas outras pessoas ficaram maravilhadas, sensibilizadas com estes dois grandes exemplos de heróis, sim, estes verdadeiramente são heróis, que nos foram apresentados. Uma mistura de amor, perseverança, fé, e principalmente de crença naquilo que se acredita ser possível. Marco Aurélio e Claudio são possuidores de uma força que falta em muitos de nos. Quantas vezes olhamos para as nossas deficiências e clamamos a Deus, nos maldizendo, quantas foram às vezes que a medicina sentenciou bebês a morte e a gente se conformou com a sorte. Em ambos os casos, as crianças receberam dos familiares o apoio, a ajuda, e principalmente a fé de que tudo poderia ser conseguido, com muita garra e determinação. A rede Globo com a produção desta reportagem pode também a partir de agora, mudar o sentido da palavra herói. Verdadeiros heróis são aqueles que lutam, que não se recolhem aos cantos como coitadinhos, que não expõem suas vidas em casas monitoradas por câmeras, mostrando todas as safadezas e sacanagens que casais possam praticar em troca de alguns milhares de reais. Heróis são estas pessoas, que não medem sacrifício, que não tem hora para lazer, que acreditam que dificuldades podem sim ser superadas quando existe amor em abundancia, quando existe cooperação. Marco Aurélio, formado em jornalismo com a ajuda do pai, que frequentou todas as aulas com o filho, este realmente é pai, este realmente é herói, amigo. Cláudio por sua vez teve a mãe como pilastra de sustentação, em ambos os casos as famílias como suporte no enfrentamento as dificuldades, como apoio nas horas de desânimo. Estes dois exemplos mostrados ontem, sabemos não são únicos, existem outros tantos heróis anônimos por este nosso Brasil, pessoas que superam dificuldades financeiras, físicas, em busca de um sonho. São estes exemplos que estão fazendo falta neste país. São estas notícias que o povo tem que começar a ver e ouvir mais. Estes exemplos de verdadeiros vencedores estão fazendo falta para muitos de nos acostumados a receber tudo pronto, e a qualquer tropeço pensamos desistir. Parabéns Claudinho, parabéns Marco Aurélio, vocês são pessoas especiais, não por suas dificuldades, suas deficiências, muito pelo contrário, por possuírem qualidades inexistentes em grande parcela do nosso povo.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Denúncia
Fazem, já alguns anos que pesquiso, em jornais, internet, TV inclusive em estatísticas de outros estados a situação da saúde, do tratamento que é dado aos pacientes que buscam a cura para o sofrimento. E chego a conclusão terrível, estamos sendo massacrados, em todos os sentidos. Fico imaginando o que é que passa pela cabeça de algumas autoridades quando o assunto é saúde. Sempre que organizava, e ou participava como convidado nas palestras sobre prevenção de acidentes (CIPAS) gostava de dar ênfase para um dado que a meu ver era primordial; o maior investimento que uma empresa possui, independentemente da tecnologia usada é o seu quadro funcional, são as pessoas. Nada é mais importante do que contar com pessoas, com colaboradores, trabalhando, executando suas tarefas com disposição. Ganham os patrões, os empregados, ganham todos. Assim, também deveria ser em comunidade, acima de obras, gigantescas, prédios luxuosos e tantas outras futilidades a saúde das pessoas deveria ser uma bandeira a ser defendida com unhas e dentes. Um povo saudável, vai produzir mais, vai colaborar mais, vai criticar menos, pois estará seguro.
Porque será que é tão difícil para algumas cabeças retrogradas destes políticos colocar como metas principais o bem estar de toda uma comunidade, e não apenas para meia dúzia de apadrinhados? Em termos de saúde pública o nosso país está cometendo um verdadeiro genocídio, é só acompanhar, não só nos jornais daqui da cidade e do estado, mas de outros estados e municípios, principalmente do nordeste brasileiro os altos índices de mortalidade por falta de condições, falta de médicos, de hospitais, leitos hospitalares, burocracia idiota, imposições ridículas, má vontade, desrespeito para com a vida humana.A medicina nunca como agora foi tão vilipendiada,salvo poucas e raríssimas exceções, o paciente é analisado antes pelo seu plano de saúde. Eu duvido, e desafio a alguém que prove o contrário; que uma consulta pelo SUS, por profissional credenciado, tenha a mesma qualidade o mesmo interesse a mesma dedicação de uma consulta particular.
Você acredita que o empenho, e as técnicas de um profissional que executam uma cesárea pelo SUS, por exemplo, sejam as mesmas de uma cesárea particular? Só para conhecimento, particular deve girar em torno de RS 2.700,00 s ou mais, já pelo SUS o profissional vai receber pouco mais de RS.600,00. Provas do pouco caso e do desinteresse são algumas perícias do INSS. E nós, o que fazemos? Saímos às ruas,gritamos,imploramos pedimos justiça, mas, nem mesmo a justiça hoje é respeitada neste país de alienados. Um juiz determina uma internação, e os hospitais declaram que os juízes não sabem o que está acontecendo, e não acatam a ordem. Se, isto acontece com quem tem em mãos uma ordem judicial imaginem o pobre que adentra um posto de saúde, um hospital, com baixa hospitalar do SUS? Aliás, não esqueço de um fato acontecido quando trabalhava na Secretaria. Assistência Social (governo do Guilhermino Proença). Uma senhora procurou a secretaria, pedindo uma consulta, no hospital, pois o filho ainda nenê chorava, e se recusa a se alimentar. Foi concedida a consulta. A senhora se dirigiu até o local e pouco depois apareceu de volta a secretaria com um receita médica indicando “leite de magnésia”. Estranhei e perguntei se ela havia sido atendida por médico, ou aquilo era coisa de enfermeira. A resposta; o médico não consultou, disse que o caso era perdido que tanto fazia o que receitar, a criança iria morrer mesmo.
Saí com a mãe e voltamos ao hospital. Entrei na sala do “tal doutor” e perguntei se aquilo era procedimento normal. O “doutor” um guri debochado e arrogante confirmou tudo. Chamei duas testemunhas, e ele arrogantemente confirmou e ainda me ameaçou. Conclusão; denunciei “aquilo” ao CREMERS, o profissional sumiu da vista, foi fazer mandinga em outro terreiro. Nosso povo está ressabiado, tem medo de enfrentar certas máfias (a medicina é uma delas) se encolhe,prefere sair as ruas, com faixas e cartazes, isto não causa mais nenhum desconforto nestes caras. Fazer grupos, reuniões, fundar associações, isto já não leva a nada por que qualquer tipo de enfrentamento vai cair nas mãos da justiça e daí adeus Tia Chica. Vejam o caso dos condenados no Mensalão, vejam os condenados e investigados ocupando cargos públicos, vejam os casos de corrupção, de juízes envolvidos em vendas de sentenças, de advogados corruptos, de médicos envolvidos em abusos contra pacientes, de médicos assassinos, vejam prefeitos, secretários, vereadores envolvidos em fraudes milionárias, muitas destas fraudes em dinheiro enviado para a saúde. Prender um operário que rouba um pão no supermercado para matar a fome isto eles fazem e muito bem. Agora, pescar os tubarões, os grandes ladrões , livrar o povo brasileiro destes assassinos, a isto ninguém se arrisca.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Falta responsabilidade
Ontem, o tema abordado foi Cidade imunda. Com efeito, Sapucaia está mais para uma cidade deserta do que um polo industrial e dormitório, de operários da grande Porto Alegre. As fotos, que ilustram o texto não nos permitem dizer outra coisa. Detalhe, estas fotos são de áreas importantes da cidade, não se trata de vila afastada. Mas, porque será que a coisa está nestes patamares? Será realmente que tudo passa pela culpa e incompetência dos administradores? E, nós como povo civilizado, será que estamos fazendo realmente a nossa parte só criticando? Vamos ver. Quando visitamos estas cidades do interior,geralmente de cultura germânica, italiana, japonesa nos causa encanto a limpeza a decoração das casas,o carinho e o bom gosto que os moradores parecem ter por sua cidade. É uma questão de cultura. Um dos fatores que mais influi nestes casos é que estas cidades não são cidades dormitórios, não são procuradas como estas a beira da capital como base para a família de quem vem em busca de trabalho. A população quase que não sofre com o inchaço imobiliário, o movimento de chegada de novos moradores é pequeno, e geralmente são parentes de pessoas que já residem naquele local. Isto facilita a manutenção de um conceito que prega que todos tem responsabilidades, pelo embelezamento de ruas, praças e avenidas. Ao prefeito e vereadores compete sim a responsabilidade pela manutenção dos serviços públicos, mas a população confia nos gestores e auxilia nos serviços urbanos. Quando se recolhem tributos, espera-se em contrapartida tudo aquilo que não nos é facultado fazer, por conseguinte em cada ato de ajuda, na manutenção das ruas pelos moradores estamos economizando recursos. O ideal seria que cada morador acreditasse nas administrações de sua cidade e assumisse a frente de sua residência como responsabilidade, concerto da calçada, capina, e pintura do meio fio deveria competir ao morador, em contrapartida ele teria o devido desconto na hora da cobrança dos impostos, já que está assumindo uma parte dos serviços públicos. Aqui em Sapucaia do Sul, convenhamos, o que tem de pessoas relaxadas não está no gibi. Tenho vizinhos, e já os critiquei por isto, eles varrem a calçada, o meio fio, e jogam o lixo na boca de lobo, outros simplesmente jogam o lixo domiciliar num saco e atiram de qualquer maneira na frente da casa a espera do recolhimento, os cães passam arrebentam os sacos e espalham aquilo tudo. Fica tudo por ali mesmo, ninguém da casa aparece para recolher e juntar. Não estou defendendo a prefeitura, apenas acredito que se houvesse confiança nos serviços prestados, o povo poderia fazer mais, contribuir mais. Aqui este tipo de coisa não acontece por que; primeiro vivemos num sistema de patriarcado, onde a vila é “assumida” pelo vereador, ou pelo político que reside por lá. Nestes locais geralmente as coisas funcionam melhor. O cabo político faz questão de trabalhar porque já está de olho na próxima eleição. É uma questão cultural, aqui o lema é – Eu pago impostos para que façam os serviços, se não fazem azar – Outro fator que colabora para este descaso, este a abandono de ruas praças e avenidas é que desde há muito nossa pobre cidade está nas mãos dos mesmos incompetentes de quarenta anos atrás. Aqui a casta dos políticos, politiqueiros, e politicoides não se desencastelam nem com bomba atômica. As cabeças desta gente não admitem mudanças, modernidades, assemelham-se aquelas vendas que são postas nos cavalo para que não tenha visão lateral, são cabeças bitoladas. Sapucaia do Sul, é um caldeirão, onde se miscigenam políticos incompetentes e gananciosos, com uma parcela da população que apenas dorme aqui e por isto mesmo não está nem ai, se acidade está bonita, feia, limpa ou suja. Não existe mais na nossa cidade amor próprio, a gente cansou de esperar por alguém que entendesse as nossas necessidades. Organizam-se movimentos, conclama-se as pessoas, pede-se participação, encaminham-se soluções e tudo acaba na vala comum do desinteresse.Já não amamos mais a nossa pobre e maltratada Sapucaia vergonha do Sul.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Cidade imunda.
É impressionante, o nível de sujeira e imundície pelas ruas da minha cidade.Nós moradores já não temos prazer nenhum em passear, ou até mesmo convidar parentes e amigos a visitarem a cidade. A gente faz um passeio a estas cidades aqui da volta, na grande Porto Alegre, por mais simples que sejam, estão limpas, arrumadas trânsito calmo, pessoas gentis,calçadas limpas,casa pintadas portas abertas mostrando um assoalho impecável. A gente se sente leve , sem vontade de voltar. Aqui, ninguém mais tem animo para nada, se faz uma limpa no terreno, tem que pagar para um contêiner ficar a disposição, em média 150 reais. Mas, se pagamos impostos, pagamos para ter a cidade limpa, nossas casa com um mínimo de asseio, porque então temos que arcar com mais este ROUBO OFICIAL? O aluguel destes equipamentos é altamente prejudicial, o preço é exorbitante, o perigo de acidentes em via pública, não pagam impostos, e o pior, você paga e pessoas de outras vilas (carroceiros) trazem lixo para colocar justamente ali. As ruas e praças eu não sei por que estão literalmente abandonadas a gente telefona, agenda, marca e não acontece nada. Ali na COHAB casas na Rua Walter Neves teve um morador que por conta própria,usando recursos seus,fez uma faxina. Deixou a rua com outro aspecto. Muito embora seja um gesto bonito e solidário, eu sou contra que nós moradores sejamos chamados a fazer este tipo de trabalho. Esta responsabilidade foi delegada a todos aqueles que pediram o nosso voto nas últimas eleições. Este trabalho é responsabilidade daquele indivíduo que recebe um ótimo salário para embelezar a cidade. Esta responsabilidade é do Sr. Prefeito, que prometeu a alguns anos atrás uma nova vida para a cidade e agora administra um cadáver. Onde está a tal “Vida Nova”? Sapucaia do Sul nunca esteve tão abandonada, a própria sorte. Quem tem gosto de pagar impostos se sabe que o valor arrecadado servirá apenas para pagar uma folha de pagamentos de aspones e puxa sacos? Aqui, as pessoas tem nojo de sair a rua, é medo de assalto, calçadas tomadas pelo lixo, praças servindo de motel para todos os tipos de vagabundagem, pedintes, vendedores, balaios de roupas,calçadas esburacadas, entulhos, mato, placas oferecendo artigos, sujeira no meio fio, carros estacionado sobre o passeio, as pessoas tendo que disputar espaço com os carros na pista de rolamento. Ora bolas ,para que então estamos pagando impostos? Para quem reclamar? Esta gente que assumiu não está nem ai para os movimentos populares, a única coisa que sabem fazer é chamar a polícia para conter os Indignados, daí a polícia aparece, e bate se for preciso. Pagamos a mais vergonhosa taxa de iluminação pública do estado, um cálculo, que duvido todos os vereadores saibam como é feito, um ROUBO DESCARADO, cometido em parceria PREFEITURA/CONCESSIONÁRIA e para quê? Lâmpadas acesas durante o dia e apagadas a noite, ou então acesas noite e dia. Você telefona e lá vem o maldito recado - seu pedido foi registrado em breve o atenderemos. Em frente a minha casa, é só um exemplo, já fazem mais de oito meses que tem uma lâmpada que acende/apaga liga/desliga causando interferência em aparelhos de rádio e Tv. Mas a reclamação nem é pela interferência, é pelo perigo que representa uma quadra as escuras. Se durante o dia já é um perigo sair a rua, imagine a noite e ainda as escuras.Onde é que se escondem estes senhores secretários? Onde é que estão os irresponsáveis que deveria tomar providencias e não o fazem? Onde estão os vereadores, fiscais do povo, que fizeram visitas, prometeram, e agora só aparecem em fotos de eventos, comes e bebes? Está mais do que na hora de o povo virar a mesa. Com certeza. Mas não só a mesa, temos que aprender a virar a cara para esta tropa de aproveitadores de meia pataca.
sábado, 6 de abril de 2013
O Nono
A rotina sempre foi a mesma, pela manhã, banho tomado, traje leve, óculos escuros bengala como apoio e, lá vem ele, o Nono. Tornou-se personagem da praça em frente a casa onde mora, um ritual diário, até mesmo em dias de chuvisqueiro, quando então agrega aos seus pertences um clássico guarda-chuvas.Escolhe o banco desejado, senta,estica as pernas, crua as mãos sobre a barriga murcha, e fia admirando o movimento. Quase sempre recebe a companhia de alguma pessoa, seja para pedir informações,seja para bater papo. Parece ter um especial prazer por moças e senhoras, costuma torcer o nariz para aqueles velhos amigos aposentados que o procuram para falar sobre dores, doenças, remédios e até falecimentos de amigos. Para com estes faz cara de brabo, não costuma estender assuntos parece ter pressa de encerrar o colóquio. Mas, como sexo oposto o Nono parece inebriar-se, realizar-se, é todo sorrisos, gentilezas, agrados. Lembro-me de uma oportunidade em que uma moça, tinha talvez vinte e poucos anos, passava pelo local e encantou-se com a figura simpática que lhe atirava um sorriso. Resolveu sentar-se ao seu lado e entabular conversa, então foi um rosário de historias, sobre família, amigos, e, principalmente amores vividos. Falou dos filhos, das dificuldades, do falecimento da esposa, e de sua vida de solidão. Gostava, nestas ocasiões, de contar o seu dia a dia, mas principalmente suas noites de solidão. Quase não podia ler, pois as vistas já não o ajudavam, muito pouco assistia televisão, pois como costumava dizer, São aparelhos do diabo. Então, costumava sentar junto a janela para observar os movimentos até a hora de recolher-se ao leito. A moça ouvia tudo com atenção, penalizada com aquele simpático velinho, como poderiam os familiares abandonar a própria sorte uma criatura tão meiga, tão amável. Propôs então que lhe faria algumas visitas. Um largo sorriso abriu-se no rosto do Nono. Nas visitas, quase sempre guloseimas, doces, agrados, é, é claro aqueles carinhos com aquelas mãos macias, aveludadas. Adorava sentir-se bajulado, ainda mais quando ela aparecia de saias curtas, que por vezes distraidamente deixavam à mostra as pernas lisas e roliças. Ela aproveitava a visita para arrumar um pouco a casa, limpava banheiro, até lavava algumas peças de roupa, arrumava a cama sempre desalinhada e depois sentavam ambos na sala como um casal normal, muito embora com uma diferença considerável de idade. Na despedida, um beijo no rosto, e a promessa de uma nova visita, um novo encontro no banco da pracinha. Aquilo era o céu, o Nono sentia-se realizado. Hã, por falar nisto desculpem, está na hora de pegar a minha bengala e ir até a praça. Ela deve chegar a qualquer momento, Fui.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Ser livre.
Outro dia, falando com um amigo, ele me dizia: ainda bem que temos muitos problemas é verdade, mas, somos um povo livre. Aquilo não saiu da minha cabeça estas duas palavrinhas tão fáceis de pronunciar e redigir, na verdade encerram tantas indagações, que me fizeram pensar por algumas horas. Afinal, o que é ser livre? Ser livre, para mim é poder passear num domingo com a família num parque, conversar com amigos sem a preocupação se estou ou não sendo vigiado. Ser livre é poder ir ao cinema,ao teatro estacionar o carro a beira da calçada sem ser importunado por alguém que a todo o momento vem cobrar de você por estar ocupando um espaço público, ou seja, que lhe pertence, afinal você paga impostos. Ser livre é não sentir-se vigiado por mil câmeras, ser livre é viver sem grades, sem seguranças a volta, sem escolta armada, sem balas perdidas, sem tóxicos, vícios, drogas. Ser livre é poder estudar, progredir, trabalhar sem me preocupar com pagar impostos, taxas, contribuições. Ser livre é viver o dia a dia sem ter que provar a cada momento que sou honesto, é poder ir ao supermercado sem ser seguido por seguranças. Ser livre é poder ter o direito de assistir bons programas, saber que não estou sendo manuseado, induzido, orientado a consumir, prostituir, mal educar, corromper, ser enganado por autoridades. Ser livre é ter o direito de pagar tributos e receber em troca tudo aquilo que você acredita estar pagando, ou seja, segurança, saúde, emprego, moradia digna, dignidade. Ser livre é não ter que preocupar-me com quanto vai custar a minha sobrevivência no amanhã, se vai ter leito no hospital se o médico vai ter tempo para mim, se o medicamento vai enfim me libertar das minhas dores ou se vai apenas me remediar. Ser livre é não ver tanta gente sofrendo para amainar a fome, e conviver com tanta miséria, com tantos vilipêndios. Ser livre é saber que meu trabalho vai ser remunerado na proporção daquilo que produzi, e não daquilo que meu padrinho pediu para me pagarem. Ser livre é conviver no dia a dia com amigos, e parceiros de trabalho, sinceros, honestos. Com pessoas que não me sigam para empurrar-me escada abaixo, que sobem graças ao sofrimento de outrem. Ser livre é poder deitar a cabeça no travesseiro e não me preocupar com a dúvida se serei ou não a próxima vítima. Ser livre é ter a certeza de que tudo aquilo que adquiri, com o suor do meu rosto e fruto do meu trabalho me pertence, e ninguém vai levá-lo. Ser livre seria poder bater no peito e gritar ao mundo que estou construindo um país melhor para meus filhos e irmãos, que as riquezas acumuladas aqui pertencem a todos e não apenas para alguns. E daí, você é livre?
terça-feira, 2 de abril de 2013
Calcinha vermelha
Confesso que não sou nem um pouco adepto a frequentar bancos. Antigamente até visitava para recebimento de minha aposentadoria. Mas, depois achei melhor passar o cartão para minha esposa, assim ela faz os serviços bancários e para mim sobra mais tempo livre para escrever. Recentemente, tive que visitar a agência do banco onde tenho uma conta para solicitar alguns esclarecimentos. Na entrada aquela velha historia que já fez com eu brigasse com outro banco, a maldita porta giratória. É um verdadeiro suplicio, para quem tem apenas um braço disponível, e ainda deve usá-lo como apoio com a bengala. Isto sem contar com os empurrões de quem vem logo atrás. Mas, desta vez resolvi enfrentar as dificuldades e pacientemente fiquei sentado a frente de uma das mesas onde um moça bonita, muito bem maquiada, uma mini saia curtíssima de onde saltavam duas pernas lustrosas,lindas, ia chamando pelo número da senha. Não sei se sou apenas eu, mas costumo prestar atenção nos detalhes que me rodeiam, e a mim não fugiu um detalhe. A mesa onde a funcionária estava sentada, era aberta na frente, apenas velada por uma destas propagandas de papel do próprio banco. O problema é que o papel havia soltado, e, como a cadeira do cliente atendido estava afastada, o visual era encantador. A moça estava pagando mico de calcinha. E não eram poucos os espectadores, alem de mim, é claro. Fiquei penalizado com a situação. Eu queria avisá-la , mas, não sabia como fazê-lo. Fiz sinal com a mão pedindo um momento, eu desejava chegar até ela e falar o que estava acontecendo, ela não entendeu e falou; só um instante senhor já lhe atendo, por favor. Que ela iria atender eu sabia, acontece que nestas alturas do campeonato já havia uma pequena plateia, o banco apertava,ficava pequeno a cada instante, e ela toda charmosa, abria, fechava, cruzava,tornava a abrir enquanto plateia delirava Insisti com minha permissão para chegar até ela, e novamente a resposta foi a mesma; aguarde, já lhe atendo. Dava até para desconfiar que a mocinha sabia da situação e não estava gostando nada da minha intervenção. Ai foi demais, levantei e educadamente fui até a mesa e falei: senhorita, só queria avisá-la de que a cortina que havia em frente a sua escrivaninha já caiu faz tempo, e que todos aqueles sentados a sua frente sabem que sua calcinha é vermelha, e estão adorando o espetáculo., desculpe.A moça abaixou-se, e quando retornou o olhar, meio sem graça pediu desculpas e disse; o senhor bem que poderia ter-me avisado tão logo o papel caiu. Tens razão, fosse somente eu a apreciar o espetáculo teria feito, mas, acontece que os espectadores eram muitos, com certeza iria apanhar.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Eu não esqueci.
Quem acompanha este Blog, deve ter estranhado que já fazem alguns dias não toquei mais no assunto do desaparecimento de D. Beatriz.E, por uma questão de respeito aos meus ilustres amigos, que me honram com sua presença, tenho o dever de explicar o que está acontecendo. Na verdade desde que assumi entrar neste contexto, escrevi muito sobre o assunto. Inclusive foi minha a ideia de, com o aval da família de D. Beatriz, redigir correspondência para todas as autoridades deste nosso Brasil. Como todos sabem,a Srª. ministra Maria do Rosário, apos ter sido contatada pela terceira vez, resolveu dar o ar de sua graça e colocou a coordenadoria para pessoas desaparecidas (do Dep. Oliboni) a disposição da família. Até então, continuei com a pressão, sobre as autoridades,exigindo,cobrando atitudes. Cobrando atitudes inclusive dos responsáveis pelo tais direitos humanos de Sapucaia do Sul, os quais foram colocados no caso não se sabe por quais razões (eu sei quais foram estas razões) e que até então não haviam sequer tomado conhecimento do caso. Quero ressaltar, que durante o período em que solicitei ajuda pelo Blog, muitas visitas de cidades do interior de São Paulo, foram sendo registradas, como aliás continuam acontecendo.Mas, após a visita do Deputado Oliboni, aos familiares, e com a promessa de que estariam fazendo um verdadeiro mutirão (político) pela busca a Srª. Beatriz, a família, na pessoa do Sr. Delmar solicitou que eu não fizesse mais tanta pressão, uma vez que agora o gabinete do deputado assumiria as tratativas.Assim,resolvi dar um crédito de confiança, a coordenadoria do deputado. Porem, e isto vou frisar muito bem: não posso nem de longe imaginar,pressupor ou até admitir que o pedido da família tenha ocorrido em função de sugestão de algum membro desta coordenadoria ou de algum prejuízo a causa que meus textos possam estar causando. Todas, as críticas todos os pensamentos,desconfianças,descréditos com pessoas, fatos, e omissões das autoridades responsáveis são de exclusiva responsabilidade minha. Em nenhum momento fui contatado por quem quer que seja para escrever ou publicar algo referente ao caso. Quero ajudar,e acredito que uma grande ajuda foi o fato de a ministra ter-se envolvido no caso. Estou, a pedido do Sr. Delmar, dando um tempo para que possam (eles da coordenadoria) mostrar a quer vieram. Força política eles tem. O Brasil não pode continuar nesta farra de que tudo está bem, tudo está ótimo, não, não estamos nada bem, a corrupção corre solta, os preços estão pela hora da morte,os assassinatos agora são em série, o povo cada vez mais abandonado e entregue a própria sorte. Está mais do que na hora do povo começar a refletir sobre o momento que estamos passando. E, ele é muito grave. No momento em que assalariados morrem a míngua nosso congresso nos joga na cara desaforos e mais desaforos, bandidos assumem postos chave. O povo enganado ludibriado, caminha estonteante para um rumo totalmente incerto. Pessoas desparecem sem que se tenha sequer um cadastro nacional organizado para pesquisas, e tudo continua sendo tratado com papéis, com acolhimentos,com acompanhamentos, e nada de concreto acontece.No caso específico de Dona Beatriz estou dando um tempo, apenas isto. Mas não esqueci do compromisso com a família.
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