sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eleições 2010 - O CIRCO

Não tem outra explicação, só pode ser coisa de picadeiro, e o pior, picadeiro de circo paupérrimo. Aqui na cidade, nós não temos um Tiririca, mas, em compensação temos candidatos de uma mediocridade sem limites. Tem de tudo, tem candidato que mamou a vida inteira nas tetas do dinheiro público, formuo-se graças a estes valores, mas apesar de toda a vivencia, de todo o tempo, de todos os cargos que desempenhou, nunca teve tempo, para tratar da saúde do município. Agora pede uma nova chance para lutar pelas crianças que não tem escola(?????)pela segurança que está um caos(?????)por mais justiça social, enfim, se eleito Sapucaia poderá quem sabe tornar-se sede da Copa dos Alienados em 2014. Acredito na maturidade do povo,no voto com dignidade. Tem outro que passa o tempo todo malhando a atual administração, e esquece de falar para que afinal de contas quer ser deputado, não tem projetos,não analisa nada passa o dia com carro de som só fazendo denuncias(?????). Não tem jeito mesmo, o negocio é votar para governador,presidenta, e senador, o resto fica para os pucha sacos que estão de olho, ou numa boquinha no governo, ou já estão amarrando o petiço com vistas as eleições em 2012. Tem candidato, câmara federal ( minúculo mesmo) que só visitou Sapucaia para jantar com correligionários, agora pede voto aqui. Tem outro artista que responde a não sei quantos inquéritos (ficha limpíssima),apadrinhado por outro índio pra lá de especial, só desfila anunciando verbas para o município(nisto eles são campeões).Ai voce que lê, pode pensar, pucha mas só fala, fala e não dá nomes? estão todos com a razão, inclusive eu, não posso dar nomes pois não quero induzir ninguém a votar neste ou naquele. Aliás querem saber a melhor maneira de votar? É assim: PRESIDENTA : DILMA - confirme,SENADOR: PAIM e ABIGAIL, confirme -GOVERNADOR : TARSO, confirme. Os demais voce prencha com zeros e CONFIRME.
Voce pode até votar diferente, mas daí tem que ter vocação para o picadeiro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Tiririca.

Ao que tudo indica, o humorista Tiririca, deverá ser o deputado federal mais votado, pelo estado de São Paulo. E merece. Afinal não tem melhor representante para um povo que gosta de futebol,carnaval,e.....CIRCO. Convém salientar que na cola do Tiririca, virão mais alguns absurdos. E todos merecem, com todo o respeito, nosso congresso está uma mixordia tão vergonhosa que mais se parece com um circo. E circo é espetáculo, e espetáculo tem que ter palhaço sem graça,muitas bundas, boxeador, cantor de pagode, afinal tudo vira samba.
E não fique se lamentando não meu irmão, porque quem vai pagar o salário,ops, digo cachê sou eu, você todos nós, que afinal não passamos mesmos de ????PALHAÇOS, só que mal remunerados como eles.
E VIVA TRES DE OUTUBRO.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O meu medo..

Só tenho medo que o povo mais uma vez, depois de tantas bofetadas no rosto, acabe por acreditar no canto das sereias, e volte a creditar voto de confiança em tantos baderneiros, em tantos crápulas, em tantos mentirosos. Principalmente aqui em Sapucaia onde tem candidatos cuja ficha mesmo se lavadas com H2SO4 não limparia jamais.
Faltam poucos dias amigos,já estamos preparando a grande mesa do juri,nós estaremos lá,com uma arma poderosa nas mãos. Naquela tribuna não estarão advogados, para defender nem para acusar. Apenas juízes para julgar. Julgar os corruptos, os mentirosos,os ladrões os eternos vendilhões, os lacaios do poder. Aqueles que se locupletam com verbas PÚBLICAS em detrimento da miséria,da fome da miserabilidade do nosso povo. Não te deixe iludir, tem gente que está com processos de milhões pendurados, prometendo ser o paladino da honra e da justiça. Confia no teu voto, nem TRE,muito menosSTJ agora eles não vão julgar, quem julgará seremos nos, com nosso voto. Faça a tua parte se queres realmente que este país siga progredindo, fora os eternos pedidores de dinheiro ao FMI, fora os eternos vendedores do patrimonio público. Vamos fazer como Brizola, fez, vamos voltar a estatizar os serviços essenciais,LUZ,ÁGUA,TELEFONE vamos correr com estes trustes internacionais que levam nossas riquezas,que estão destruindo nossa AMAZONIA. Vamos acabar com estes assassinos que estão dizimando nossa juventude. Vamos lacrar nossas fronteiras para os larápios, para os traficantes de ARMAS e DROGAS. Precisamos de homens fortes,honestos e corajosos para fazerem leis que sejam cumpridas. Basta de crápulas,chega de mentiras. Vamos criar um novo BRASIL. Em tres de outubro não eleja vagabundo, seja exigente
vamos moralizar de vez esta nação. o poder é nosso. VOTE e não se OMITA.
AGORA É DILMA,TARSO E PAIM.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Brasil, terra dos felizardos.

É impressionante.
O O Brasil, é um dos únicos países do mundo onde as leis existem,mas, não são cumpridas, onde um político quando não tem competencia, comprovadamente, inventa dossiês para tentar matar no tapetão o adversário. O nosso país é um dos poucos que ainda tem ignorantes políticos que chamam de assassinos que lutou por mais direitos, por mais liberdades. Nosso país é campeão em críticos para todas as horas, e para todos os gostos. Mesmo não entendendo bulhufas de porcaria nenhuma, o cara é levado para frente de microfones, e camaras para destilar toda a sua ignorancia. O Brasil é um país onde as pessoas levam a serio este tipo de baderna. Aqui ,aqueles que não tem nada para fazer o tempo todo, passam a enviar emails, revirando a vida íntima dos candidatos, indiferentes da sigla a qual estejam filiados.Que pena que parte de nossa mídia tendenciosa não rebusque também os escândalos e os processos que Serra ainda está respondendo. Que pena que a Rede Globo e suas afiliadas não toquem o dedo nesta ferida aberta por um dos seguranças do palácio Piratini. Que pena que ainda existam advogados mentirosos, que defendam o fato de alguem bisbilhotar a vida alheia, e achar tudo "normal" desde que solicitado pelo chefe. No RGS, nossas vidas, podem e devem estar sendo escarafunchada pelos "coronéis" poderosos.E ninguém fala nada. A grande mídia so aparece para dar notas relâmpago sobre este fatos. Que pena que ainda existam pessoas que ao inves de procurarem por propostas,analisar seus candidatos percam tempo falando coisas que só conhecem pela boca de analfabetos políticos.
AGORA NÃO TEM VOLTA, É DILMA, É TARSO, PAÍM. As viúvas que fiquem criando dossiês.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Epílogo

De tudo o que aqui foi transcrito, uma verdade fica sacramentada: A justiça existe, mas só para quem tem poder e dinheiro. Culpa de juízes, desconfiança com advogados, promotores, políticos e homens da imprensa? Não sei quanto aos leitores e seguidores deste blog, mas de minha parte desconfio e tenho convicção de que este emaranhado de sujeira e trapaça atinge a todos os niveis. O que mais me decepciona é saber de que apesar de tantas figuras públicas arroladas nestes fatos, alguns estão ai de volta seja como candidato ao senado, seja como deputado federal, enfim, todos sem exeção fazem vistas grossas a esta mixordia na defesa de seus interesses particulares. E nós aplaudimos, e nos elogiamos as merrecas que estes senhores do mundo nos enviam. Canalhas, calhordas eternos vendedores de ilusão. Em tres de outubro pense bem, analise,estude,te aprofundes para saber se de fato o teu candidato merece um cheque em branco.Não te iludas com os escândalos "fabricados em hora de desespero" Nosso Brasil com todos os problemas está bem melhor, do que antes, depende de nós o avanço. Não vamos permitir a volta do vendedores do patrimônio público, dos doutores e letrados que não foram machos para fazer um quinto do que um humilde operário metalurgico fez. Esta é a mágoa. Agora é DILMA, é TARSO, é PAIM.

Família Rigotto

Último capítulo
A inerte Associação Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de Bones e seu jornal. Só em setembro de 2009, um mês após a denúncia sobre o bloqueio judicial das receitas do JÁ, é que a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descartável, manifestando solidariedade à vítima e lamentando a decisão “equivocada” da Justiça. A Associação Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu à reportagem contestada do JÁ o seu maior prêmio jornalístico, só quebrou o seu constrangedor silêncio ao ser cobrada publicamente por este Observatório, em novembro passado. Todos os membros da brava Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo têm a obrigação de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mensário da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou referência da imprensa nanica que resistia à ditadura.

Bones chegou a ser preso, em 1980, pela publicação de um relatório secreto em que o Exército fazia uma autocrítica sobre as bobagens cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia. Algo mais perigoso, na época, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE… No site da Abraji, a entidade emite sua opinião em quatro notas, nos últimos dois anos. Critica o sigilo eterno de documentos públicos, defende o seguro de vida para repórteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma repórter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifestação a favor da liberdade de expressão… no México. Ao pobre JÁ e seu editor, lá no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.

A poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos das três Américas, patrocina uma influente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, hoje sob a presidência de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo. Envolvidos com os graves problemas da Paulicéia, eles provavelmente não podem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comissão de Liberdade da SIP, e dois deles bem próximos do drama de Bones: os gaúchos Mário Gusmão e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital gaúcha. Nem essa proximidade livra as aflições do JÁ e seu editor do completo desdém da SIP.

Este monumental cone de silêncio e omissão, que atravessa fronteiras e biografias, continua desafiando a sensibilidade e a competência de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por trás do amaldiçoado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa. A maior fraude da história do Rio Grande, mais do que uma bomba, é uma pauta em aberto, origem talvez da irritação dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa história mal contada. Os volumes empoeirados deste megaescândalo continuam intocados nas estantes da Justiça em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplicável que só pode ser útil a quem mente e a quem rouba, não a quem luta pela verdade e a quem é ético na política, como fazem os bons repórteres e como devem ser os bons políticos.

O bom jornalismo não é aquele que produz boas respostas, mas aquele que faz as boas perguntas – e as perguntas são ainda melhores quando incomodam, quando importunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.

A emoção é a última fronteira de quem perde os limites da razão. Elmar Bones tinha ganhado todas as instâncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justiça, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalpáveis do sentimento para decidir em favor da mãe de Germano Rigotto:

“Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (…)”.

Dona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem maculadas de seu falecido filho, Lindomar.

Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, angústia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuperável orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.

Por Luiz Cláudio Cunha em 31/8/2010, no Observatório da Imprensa

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma ergunta..

Uma pergunta que não quer calar: Porque nada disto é publicado nos órgãos de imprensa?Qual o jogo sujo de interesses que existe por detras de toda esta sórdida trama? Como sempre nós eternos bobocas jamais ficaremos sabendo, porque não cobramos, não aprendemos a lidar com gente desta laia. Cada vez mais me envergonho de saber que até o PDT de Brizola, está metido nesta historia. E eles estão todos ai de volta, Rigotto " senador que RGS quer" para que mesmo ".

Família Rigoto..

Capítulo 06
O orgulho de Enedina
Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul –, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.
Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como “retumbante”. Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.
É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do “Caso CEEE” porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.
O que é recato na política se transforma em omissão nas entidades que, ao longo do tempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de expressão e no repúdio veemente à ditadura e à censura. Siglas notáveis como OAB, ABI, SIP, Fenaj e Abraji brilham pelo silêncio, pela omissão, pelo desinteresse ou pelo trato burocrático do caso JÁ vs. Rigotto, que resume uma questão crucial na vida de todas elas e de todos nós: a livre opinião e o combate à prepotência dos grandes sobre os pequenos, apanágio de toda democracia que se respeita.
A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Família Rigotto

Capítulo 05.


O modelo de Roosevelt

Naquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O advogado dos Rigotto, Elói José Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do próprio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a idéia de parcelar a indenização devida de R$ 55 mil em 100 (cem) módicas prestações. Diante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como “lei do tacape” e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: “Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete”. O suave advogado Thomas Filho escreveu então para Bones: “… em nova demonstração de boa-fé, formalizamos nossa intenção em compor amigavelmente o litígio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais…”.

Certamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na carta a Bones que a ação contra o jornal era movida “unicamente” por dona Julieta, que buscava na justiça o ressarcimento pelo “abalo moral” provocado pela reportagem do JÁ, que misturava “irresponsavelmente três fatos diversos que envolveram a figura do falecido”. Ou seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, não consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresistível para qualquer repórter inteligente: o objetivo relato jornalístico sobre um homem público – Lindomar – morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homicídio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relatório de uma CPI, redigido pelo primo deputado, pela prática comprovada de “corrupção passiva e enriquecimento ilícito” na maior fraude já cometida contra os cofres públicos do Rio Grande do Sul. Mas, na lógica simplória da mãe dos Rigotto, uma coisa não tem nada a ver com a outra…

Para garantir o tom “amigável” entre as partes, o advogado de dona Julieta propôs a Bones os termos de uma retratação pública, suave como um porrete, enfatizando três pontos:

1. “Dona Julieta nunca teve a intenção de fechar o jornal”;

2. “a ação não é promovida pela família Rigotto, mas apenas por dona Julieta”;

3. “retirar o jornal de circulação, para estancar a propagação do dano”.

Tudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime democrático, segundo o tortuoso raciocínio do advogado, serviria para “tutelar a honra e a imagem de seu falecido filho”. Neste longo, patético episódio, que intercala demonstrações de coragem e altivez com cenas de pura violência, fina hipocrisia ou corrupção explícita, ficou pelo caminho o contraste de atitudes que elevam ou rebaixam. Diante da primeira ação criminal de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:

“[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado, é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público”.

O orgulho de Enedina

Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul –, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.

Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como “retumbante”. Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.

É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do “Caso CEEE” porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Familia Rigotto -Desdobramentos.

Capítulo EXTRA.

A Justiça de um lado só.

Sócios do jornal Já têm contas bloqueadas
Os sócios do jornal Já Elmar Bones e Kenny Braga, do Rio Grande do Sul, terão suas contas bloqueadas. A decisão é do juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, que autorizou o bloqueio online para garantir a indenização a Teresa Rigotto, mãe do ex-governador Germano Rigotto. A informação é do portal Comunique-se.
A medida tem como objetivo garantir indenização à família do ex-governador, que hoje concorre a uma vaga no Senado Federal. A Já Editores, empresa que publica o periódico, foi condenada numa ação por dano moral. A reparação inicial era de R$ 17 mil, mas hoje chega a R$ 100 mil.
Na reportagem publicada pelo quinzenal, noticia-se que o irmão de Germano, Lindomar Rigotto, estaria envolvido em um esquema que fraudou duas licitações com a Companhia Estadual de Energia Elétrica, em 1987. Uma Ação Civil Pública apurou que o prejuízo chegou a R$ 800 milhões. O acusado foi assassinado em 2000, em Capão Canoa (RS).
De acordo com Bones, um dos sócios atingidos, a decisão judicial vem prejudicando a circulação do jornal, uma vez que as ‘implicações públicas do processo” acarretaram na perda de anunciantes. “A nossa versão que circula em todo o estado está suspensa desde maio. Agora só circula a edição dos bairros", informa, e diz que irá solicitar a impugnação do processo.
Quem responde por Teresa no processo é o advogado Dickson Pereira. Segundo ele, nunca houve perseguição contra o jornal. Ele diz estar cobrando da publicação apenas os honorários, que correspondem a R$ 7 mil. "Abrimos mão de cobrar a indenização, até porque temos conhecimento da dificuldade financeira que o jornal está enfrentando", afirma Pereira.
Onze empresas estão envolvidas na fraude, além de 22 pessoas físicas. O processo, que ainda está em primeira instância, possui 110 volumes está prestes a completar 15 anos, em fevereiro de 2011.