terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pobreza

Lucas

Tenho em frente a minha casa uma torneira, aonde as pessoas vêm apanhar água, e são muitas. É um poço artesiano que fiz quando da construção da minha nova casa. Foi uma promessa que se tudo transcorresse de acordo eu colocaria um ponto onde as pessoas pudessem servir-se da água também.

Ali vem em média mais de quarenta pessoas diariamente, as quais levam diferentes quantidades. Tem gente rica, tem pobre, têm vizinhos, mas, tem também gente de outros municípios que se abastecem naquele local. É muito comum virem crianças. E, foi conversando com uma destas crianças o Lucas, que eu observei existir ainda a pureza de sentimentos. Que ainda existem crianças neste mundo globalizado que conservam a ingenuidade da crença no Coelhinho da Páscoa e principalmente no Papai Noel.

Perguntei: O que você vai ganhar do papai Noel neste Natal?
- Não sei, respondeu. Acho que não vou ganhar nada, meu pai não ganha quase nada.
- Mas, insisti, o que você gostaria de ganhar?
- Uma bicicleta e um carrinho de controle remoto.
- Então você deveria escrever uma carta ao papai Noel, quem sabe.
- Mas eu escrevi. Minha mãe contou que algumas pessoas não acreditam em Papai Noel, mas ela disse que ele existe sim, a gente não vê ele porque costuma entrar por um buraco, no telhado, uma chaminé. Eu acho que lá em casa ele vai entrar, por que as telhas da cozinha estão todas quebradas, até chove para dentro.

Nosso papo continuou, ele enchendo as garrafas de água, e eu enchendo o saco dele com perguntas. Depois, aquela conversa começou a fermentar na cabeça, começaram a fervilhar conjeturas, suposições e, é claro acabaram descambando para as politicagens, as ladroagens, as cafagestagens. Porque para mim, se já não existem mais sonhos, se não existem mais esperanças, se já não existem mais perspectivas de uma vida melhor para todos, a culpa é unicamente MINHA, TUA, NOSSA, que não sabemos escolher quem vai administrar as verbas públicas.
Se houvesse mais dinheiro, se ele não fosse roubado, desviado, mal gerido, sobraria para gerar empregos e quem sabe o pai deste e de tantos outros meninos pudessem realizar o sonho, por mais humilde que fosse de seus filhos. Porem, pobre tem que existir, senão quem mais haveria de beneficiar-se com tantas vitrines lindas, Papais Noeis saudáveis, distribuindo beijinhos, tirando fotos e fazendo a alegria dos lojistas?

O Lucas, não vai ganhar a bicicleta, tampouco o seu carrinho de controle remoto, vai continuar sonhando com o Papai Noel entrando pelas telhas quebradas da sua casa. O Lucas em sua pobreza possui um tesouro que poucos de nos ainda temos; A pureza de sentimentos, e aquela pontinha de esperança que faz com que pessoas iguais a ele ainda teimem e sobreviver. 07/12/2009

4 comentários:

Anônimo disse...

Que tal racharmos os presentes do Lucas, se tiver interesse entre em contato, magrao64@pop.com.br, terei prazer em acompanha-lo na entrega.

Alda do Crítica disse...

Amigo Jaí, coloquei no topo da página, assim as mensagens continuam a descer e o quadro fica lá no alto até passar o Natal, depois que passar o Natal você tira.

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LUCAS:
Amigo Jaí e se fizéssemos uma vaquinha para ocmprar a bicicleta? Talvez funcione. Uma nova custa em média 300, reais.
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Outra coisa, vou roubar o teu post e vou colocar no blog SOS miséria.
Beijos da amiga da Bélgica
Alda

Alda do Crítica disse...

Amigo Jaí pode me enviar a foto do Natal para que eu recoloque? Houve um problema, pode ser arrumado, aguardo teu envio.
Abraço
Alda

EDUARDO POISL disse...

"No fim tu hás de ver que as coisas
mais leves são as únicas que o vento
não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia
o próprio vento"

(Mário Quintana)


Desejo um lindo final de semana com muito amor, paz e carinho.
Abraços com todo meu carinho.